De novo, o tempo

Hoje é um bom dia pra tirar o pó do blog. Há alguns anos, neste mesmo 23, vinha eu ao mundo, tal como disse aqui lá em 2006, num texto  que eu gosto muito. Um textiho falava sobre o tempo, numa viagem maluca, pois me referia não ao tempo dos taxistas ou do vizinho no elevador, mas do tempo poético, como o do Cazuza, que não para, ou do Caetano, que lhe oferece tantos elogios e até saiu do círculo em triste elegia. Prefiro escrever sobre o tempo que faltou, o tempo que passou desde o último post, desde que acordei hoje pela manhã...desde que cheguei à vida, já tão distante no tempo. Esses tempos. Não aqueles, que usamos quando falta assunto e é preciso quebrar o silêncio que incomoda.

Escrever leva tempo. Pensar leva tempo. Pensar para escrever, mais ainda. Dizem que sabe viver aquele que usa racionalmente o tempo. Não sei viver, portanto. E daí?  O tempo é um chato que grita nos nossos ouvidos que temos que correr contra ele mesmo. Vê se pode. Vivo de baixo de mau tempo há muito tempo, e sem tempo. Sem tempo para coisas que não dependem de tempo. Não fico diante do espelho catando marcas. Sei que estão ali, me culpando, mas as ignoro, dou-lhes um peteleco e jogo-as pra longe do reflexo. Dou de costas e volto ao meu próprio tempo de agora. Não há tempo perdido. Será que Proust já o encontrou?

Amanhã, estarei em outro tempo. Tudo de novo, até outro vinte e três de dez, como aquele em que abri o pacote com o caminhão azul que me trouxe à vida real. Enfim, estou sem tempo pra continuar. E acho que vai chover.

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