Rábulas da Informação

 

Escrevo ainda sob o efeito da decisão do STF de rebaixar o jornalismo a uma espécie de segunda divisão das profissões - onde estão aqueles que supostamente não lidam com a tal “verdade científica”. A decisão remete a uma lendária figura da área do Direito, o rábula, sujeito que exercia a advocacia sem ter um diploma para isso, mas conhecia por demais o ofício e toda sua chicana. Um charlatão, pra ser mais claro. Com a regulamentação da profissão de advogado, o rábula desapareceu, e agora, num processo inverso, retorna pelas mãos da mais alta corte do país. Em outra área, obviamente. Ironia das voltas da vida.

 

Somos agora todos rábulas modernos, rábulas da informação, crias do sr. Gilmar Mendes (o prende-solta-Dantas) e de sua trupe de chicaneiros, causídicos que acabaram com uma longa causa num breve discurso de palavras vazias, jogadas feito pedra numa conquista histórica.

 

Permissa vênia, Leguleios de coisa nenhuma, o estrago está feito, como a traça que comeu vossas togas e vosso cérebro. Agora, resta a força de uma categoria de 80 mil a gritar junto com outros tantos milhares que se preparam com afinco para não serem meros rábulas modernos da informação.

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