Apagão cerebral

Um branco, um zero, um nada. Fui atacado por um apagão cerebral em plena assembleia dos professores. Um mico, um chipanzé, um king kong, um primata qualquer. E paguei à vista. À vista de todos os professores, cerca de 300. Fui traído pelos meus poucos neurônios, quando tive a infeliz ideia de pedir a palavra para não sair palavra desta boca maldita.

Microfone na mão. Silêncio sepulcral no auditório lotado. Seiscentos olhos mirando esta besta, à espera de uma intervenção no mínimo com algum sentido lógico. Nada. Gaguejos, pigarros, embrulho no estômago e muitas confusões num discurso maluco em que as palavras saíam desordenadamente, tal um louco de comício, daqueles que balbuciam incompreensões diante da multidão embasbacada. Como o palhaço que esqueceu a piada no picadeiro, ou o ator que esqueceu a fala durante a peça....Enquanto isso, a plateia, perplexa, entreolhava-se incrédula.  

Busquei um chão um buraco negro sob meus pés. Negro, branco, azul, qualquer um que me levasse dali, num clic, para outra dimensão. Para o nada, para a minha cama quente naquela noite gelada. Busquei inspiração no além, no aquém, no amém até...e nada. Senti que havia uma espécie de holofote sobre mim, e todos ali me olhando enquanto buscavam uma lógica para aquela intervenção. E eu a repetir frases desconexas, números inexistentes, querendo achar um final no mínimo lógico para aquilo. Nada...apenas a voz, sumindo sumindo, sumindo... até que desapareceu como o air france de domingo. Me imaginei sendo devorado pelos tubarões no meio do oceano.

Bom, passou. Agora é destravar o cérebro e juntar o que sobrou do estômago retorcido. Por que não fiquei quieto na minha concha? Pode ser efeito dos posts anteriores, de tanto que falei aqui em branco e vazio. Ao menos rendeu um post, já que o sempalavras estava começando a mofar de novo.

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