A morte da lata de sardinha

2009 começou agitado: Obama, reforma ortográfica, tragédias (em especial a Xavante). Mas escolhi pra retornar ao sempalavras uma outra notícia que me abalou, a morte de Bob May. Claro que ninguém sabem quem é a figura. Explico. Um dos meus personagens favoritos da TV na infância era o robô da família Robison, da série “Perdidos No Espaço”. Junto com o Dr. Smith, formavam uma dupla impagável em meio a cenários rústicos do espaço, feitos de isopor e outros materiais nobres. O Robô era uma espécie de conselheiro da família e mesmo com aquele jeitão desajeitado, e que mais parecia um botijão de gás enfeitado pro natal, era bem humano e completamente submisso às incansáveis grosserias do dr. Smith. “Paspalho metálico”, “ferruginoso tagarela”, “sucata de ferro velho” eram alguns dos incontáveis impropérios utilizados pelo velho-ranzinza-cagão. Pois na semana passada a lata de sardinha morreu...ou melhor, o ator que vestia a pesada indumentária e saía gritando por entre galáxias e planetas: “perigo, perigo”, com os braços agitados. Chamava-se Bob May, o robô e só agora fiquei sabendo seu nome. Com a morte do robô, me dei conta de que ainda tenho na ponta da língua todo o texto de abertura, que começava com uma contagem regressiva: 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...mais uma vibrante aventura por galáxias desconhecidas...” e em seguida vinha na voz do narrador os nomes dos atores: “Estrelando Guy Willians, June Lokard...” . Eu achava curioso o fato de a abertura não fazer nenhuma menção ao robô, o que me levava a crer que se tratava mesmo de um robô. Vá saber. Mas não. Era um ator baixinho e que sei lá por que cargas d’água não merecia aparecer junto da família. Taí...vou ver se consigo o DVD pra reviver a infância. O robô merece.
Escrito por Jairo S. às 10h30
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