Non, ce n´est pas fini

Palavras são apenas palavras. Ao vento, talvez. Mas o vento é fraco, então as palavras tendem a cair logo ali, pertinho. Podemos catá-las e usá-las como quisermos, ou deixá-las por aí, bem quietinhas, a espera da ventania da primavera. É o absurdo da vida a ser descoberto.
Uma vez escrevi isso e retomo agora porque lembrei que estamos em maio de 2008. Há exatos 40 anos, jovens franceses resolveram sacudir o tapete do mundo chato em que viviam e decretaram: “tá na hora de acelerar a história”. E foram às ruas. E tomaram as palavras, que voaram do tapete imundo para ressoarem por aí, por todos os cantos. Uma espécie de caleidoscópio a refletir seus fachos de luz e anunciar a luta por uma tal liberdade que quase ninguém conhecia. Era a efervecência em todos seus sentidos: pensamento, cultural, político, sexual.. Maio de 68 virou emblema, virou tese, livro, filme e muito mais. Virou a cabeça de muita gente. Pro bem, pro mal, pro mais ou menos. Virou lembrança.
Sim, acho que o maio de 68 pode ser considerado uma ode à palavra. Sei, sei que entre um cartaz e outro muitos carros foram incendiados, e que além de palavras, voaram muitos paralelepípedos, mas temos que considerar também que houve uma ação coletiva através da palavra, e isso foi o que ficou, o que ainda ressoa por aí. Do tapete sacudido, voaram frases como “decreto o estado de felicidade permanente”, “sejam realistas, exijam o impossível”, “acabareis todos por morrer de conforto”, “tenho algo a dizer mas não sei o quê”, “a poesia está nas ruas”, “não me libertem, eu me encarrego disso”, “a barricada fecha a rua mas abre caminho”...e por aí vai. E todas elas dispostas em cartazes feitos à mão, sem nenhuma preocupação estética. Mesmo assim, a originalidade superou qualquer tentativa de calar aquela gurizada. Pelo contrário, quem calou foi De Gaulle, degolado pelas palavras...suas e as que voaram do tapete podre. Realmente, não foi o fim, mas o começo de algo ainda a ser pensado.
Escrito por Jairo S. às 10h50
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O padre Mary Poppins

Há dias que to querendo comentar sobre o tal padre voador, aquele dos balões coloridos, que tentou dar uma de Mary Poppins e se deu mal. Faltou tempo e sobrou exposição por aí sobre o assunto. Sei que o negócio já tá saindo da pauta, mas vou comentar mesmo assim. Até porque é um tema imperdível pra ser explorado e dá margens a variadas abordagens: religiosas, trágicas, cômicas... A imaginação pode voar junto com o padre e seus balões festivos. Juntando tudo, o que temos é um misto de fé-festa-tragédia. E todos os lados já foram exaustivamente explorados. Da piada pronta à seriedade religiosa, até charge eletrônica. Ele queria chamar a atenção e conseguiu, a mensagem de fé virou piada, virou comida de tubarão, virou santidade, virou o barco. O youtube tá cheio de videozinhos debochando; na Igreja, uns estão indignados, outros enaltecendo. Já falaram em imperícia, irresponsabilidade, mau-exemplo... Então, se já falaram tudo, por que diabos (ops) estou eu aqui tentando escrever algo sobre isso, só porque envolve um padre que sumiu (subiu) no céu amarrado a uma centena de balões coloridos e porque isso dá pano prum belo post, bastando pra isso amarrar uma palavra na outra, tal os balões do padre, e voar na imaginação até onde o vento levar. É.. não rolou o post. Ah, vão se catar. Fui. Promento melhorar no próximo.
Escrito por Jairo S. às 11h50
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