Monga

Tá...vou confessar...fui ver a Monga, mulher-gorila, naquele treiler que fica ali nos camelôs. Sempre apoiei os artistas populares, tipo circo, estátuas-vivas, domador de cobras, atirador de faca e afins. Dois pila o ingresso. Não resisti aos apelos midiáticos dispostos no entorno da engenhoca e fui conferir o lance. "Pânico, medo suspence (sic)". "Não é filme, não é bonéco (sic) é ao vivo". "Proibido para cardíacos e grávidas", anunciavam as chamadas pintadas a mão. O texto que acompanha os 15 min de espetáculo é genial:
"Monga, eleve seus pensamentos ao Alto, não deixe que isso aconteça com você. Oh, meu Deus, não! Ela vai se transformar de novo! Seus pelos começam a crescer, as unhas se transformam em garras...Ela vai se soltar das grades! Calma Monga, somos seus amigos!! Não, monga! Não!... Graças a Zé do Caixão, Monga retorna ao túmulo. Obrigado, Senhores!"
Lembrei a Lisbela e o Prisioneiro, em que a Paula Lavigne faz a Monga.
Falando em filme, em dois dias o cinema mundial perdeu dois gênios. Primeiro, Bergman; depois, Antonioni. Já velhinhos, é verdade. 89 anos o sueco e 94 o italiano. Fizeram história, os gênios. Fizeram cinema para abalar as estruturas humanas, as estruturas mais íntimas, mais intensas. Jogaram na tela o próprio instinto humano, cruamente, através de luzes e diálogos a um só tempo sombrios e vivos, como a vida. Vou rever Morangos Silvestres e Passageiro, profissão: Repórter.
Escrito por Jairo S. às 10h29
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