
Caminho sobre cacos de mim mesmo, restos de um corpo exausto na luta pela sobrevivência. Um mosaico enorme e esquisito que anda por aí feito gente. Pouco sobrou a ser jogado na cama, a ser regenerado no dia seguinte. É essa a tradução de um final de semestre em que tudo voou: o tempo, a vida, a pele. Tiraram meu coro. Quero água. De coco, na Bahia de preferência. Eu, caco de mim mesmo a espera do próximo semestre que já está aí. Eis a razão deste sempalavras estar em retiro espiritual de si mesmo. Retiro espiritual? Hummm... não, retiro o que eu disse. Retiro o retiro e coloco... ah, sei lá... é só um jogo semântico, ou, no popular: to enchendo lungüiça.
Goleiro
Pois é, quando a gente gosta de esporte mas não dá pra coisa, vira goleiro. De handebol. Não tem nada mais frustrante do que ser goleiro de handebol. E vendo um pouco do Pan, ontem, lembrei que eu fui goleiro de handebol. Além de jogar botão, ser goleiro de handebol foi minha única investida esportiva lá na pré-pré-pré adolescência. E se forem fazer uma estatística, acho que fui o goleiro mais vazado da história do handebol mundial. Ninguém levou tantos gols. Devia ser homenageado de alguma forma lá no colégio dos irmãos maristas de Camaquã, aquele mesmo do irmão surdo que eu falei aqui outro dia. Porque eu fui um guerreiro, um obstinado. Afinal, tomava gol de tudo que era jeito e não desistia. Até o dia em que fui defender uma bola e me segurei na trave para não cair. O que caiu foi a própria goleira por cima de mim...fiquei preso nas redes, feito um peixe Um peixão esquisito sendo alvo de gargalhadas do ginásio inteiro. Foi ali que desisti de vez de ser goleiro de handebol.