Caleidoscópio francês

Acima, reprodução de um dos muitos cartazes do Maio de 68 francês
Antecipando em um ano as celebrações dos 40 anos das barricadas de Paris, escrevo matéria para o Dando o Troco (jornal do Sindicato dos Bancários) sobre esse tema que virou teses, que virou livros, que virou filmes, que virou e gerou lendas e mais lendas e inspirou escritores, poetas, artistas, músicos, cineastas, loucos, anarquitas, esquerdistas, direitistas, centristas, populistas e tantos outros istas que daria uma enorme lista. Sem ter coisa melhor pra blogar, publico aqui o troço que escrevi lá no DT.
A Imaginação ao poder
A frase-título desta matéria compõe as muitas expressões manifestadas em faixas, cartazes e pichações pelos jovens franceses que sacudiram Paris no emblemático e longíncuo ano de 1968, o tal ano que “não acabou”. Mais do que calçadas reviradas e carros incendiados por jovens, estudantes, operários e intelectuais, as barricadas de Paris marcaram para sempre a história da segunda metade do século XX.
Tudo começou com uma inocente reivindicação na periférica universidade de Nanterre: os alunos exigiam o direito de frequentar os dormitórios das alunas. A reação violenta da Reitoria levou os estudantes a iniciarem um protesto que logo estendeu-se para uma questão um pouco maior: Mudar o mundo. Rapidamente, o contexto assumiu proporções revolucionárias, com barricadas, greves, e passeatas, envolvendo todas as camadas sociais da França. O mundo parou para ver e ouvir aquela insurreição que gritava por uma nova sociedade, com novas idéias sobre educação, sexualidade, trabalho, política, comportamento, liberdade. Um caleidoscópio enorme em que fervilhavam e refletiam sonhos e irreverência por toda parte.
Como resposta à tamanha ousadia, o generalíssimo De Gaulle jogou a polícia francesa contra os manifestantes, transformando as ruas de Paris em praça de uma guerra descabida e desproporcional. Eram canhões da polícia contra pedras dos estudantes. Discursos do governo nos meios de comunicação contra as pichações e cartazes da meninada. Um ano depois, De Gaulle não resistiu, pediu as contas e virou nome de aeroporto.
Quase 40 anos se passaram e ficou o legado de uma geração corajosa e inquieta, que soube berrar ao mundo suas idéias revolucionárias e anárquicas. Ficou o marco da unificação de diferentes grupos com interesses aparentemente distintos, mas muito próximos do ponto de vista da própria vida. O caleidoscópio francês refletiu seus fachos de luz por todo o mundo. No Brasil, 68 foi o ano em que a ditadura militar apertou o cerco. Na contramão de Paris, onde o cartaz dizia que era proibido proibir, aqui tudo foi proibido. Nem por isso houve silêncio. A geração de 68 não se intimidou: sequestrou, lutou, apanhou, levou choque, enfim, resistiu bravamente como os jovens franceses.
Não foi à toa que o direitista ultra-conservador Sarkozy, em seu recente discurso de posse, desferiu ataque feroz à “maldita herança de maio de 68”. C´est la vie.
Escrito por Jairo S. às 16h32
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Então...
Retorno ao sempalavras depois de muito Celacom, muita prova corrigida, overdose papal e muitos filmes ruins. Sem queixas, no entanto. O Celacom foi um sucesso graças a um conjunto de esforços de toda comunidade da ECOS, com destaque para os alunos que trabalharam duro na organização e para os blogs dos alunos da Raquel, que mataram a pau na cobertura em tempo real. Competência da gurizada, que fez tudo com profissionalismo e humor. Do Celacom direto pro Intercom Sul. Não pude ir, mas já sei que a ECOS arrebentou lá também. Muitos prêmios, entre eles, o de melhor jornal impresso universitário pro O Pescador. Agora, rumo a Santos.
Escrito por Jairo S. às 10h02
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