Scorsese, Scola e Green

Três norte-americanos de respeito. Já disse aqui que apesar de ser anti-USA pelas razões mais óbvias, sei separar as coisas e, portanto, consigo apontar o que a meca do capitalismo tem de bom. O adjetivo "roliudiano" serve pra classificar os filmes comerciais típicos de lá, aquele monte de lixo produzido em nome do Cinema e que vende pra caralho, como pão quente. Mas também sei que em meio a tanta besteira , alguns deles fazem parte do núcleo mundial que produz Cinema de verdade, como trio citado no título deste post. Fui ver na apertadíssima sala 3 do Cine Arte o oscarizado "Os infiltrados". Ótimo filme, roteiro inteligente e muita cabeça estorada a bala, mas nada de gratuito...tudo dentro de uma lógica (não quero dizer que sair estourando miolos por aí seja uma coisa lógica), com lugar na trama construída. Destaque para as atuações do trio Nicholson-Caprio-Damon...nessa ordem mesmo, porque o velho Jack Nicholson mais uma vez dá show e carrega o filme. A trilha, que sempre foi marca registrada nos filmes do Scorsese, também marcou o filme, inclusive com a maravilhosa Confortable Numb.
Mas não é o melhor Scorsese. Não sei se porque sou fã da Jodie Foster desde sempre, que ainda prefiro Táxi Driver em todos os quesitos: roteiro, direção, trilha, fotografia. Não levou o oscar de melhor filme (perdeu para Todos os homens do Presidente), mas levou a Palma de Ouro de Cannes (pra mim um prêmio mais significativo) A guria tinha 12 anos em 76 quando o filme foi feito e já concorreu ao oscar como coadjuvante. No mesmo ano, Foster fez o excelente "Quando as Metralhadoras Cospem", que já comentei aqui também.
Mas vi ontem ainda "O Jantar", do Ettore Scola. Muito bom...lembrou o genial "O Baile", aquele filme sem nenhum diálogo em que história européia da primeira metade do século XX é narrada através da música num salão de baile. "O Jantar" é praticamente todo ambientado num restaurante onde cada mesa tem uma história paralela mas que de alguma forma acabam se cruzando ao longo do filme.
Ainda revi pela enésima vez "Prova de Amor", de David Green, um diretor da nova safra norte-americana. Uma história simples, com roteiro simples, uma bela fotografía e ótima trilha. Se forem assistir, não desliguem o DVD até aparecer os créditos finais, quando entra a música "Say Goodbye, Good", do Promise Ring. É muito linda.
Escrito por Jairo S. às 08h47
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