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| Quinta-feira , 31 de Agosto |
O Malandro voltou

"... Amando noites afora Fazendo a cama sobre os jornais Um pouco jogados fora Um pouco sábios demais Esparramados no mundo Molhamos o mundo com delícias As nossas peles retintas De notícias..."
Ele voltou. E vem a Porto Alegre. Será que desta vez vou mesmo conseguir ver um show do Chico Buarque? Sei não...até mesmo porque concordo com o Ruy Guerra quando diz que o Chico Buarque não existe. “Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam. Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."
E eu digo mais...o cara vive à toa na vida, é um malandro que fez ópera, que continua esperando o carnaval chegar. Sem fantasia, com açúcar e com afeto mandou a Bárbara calar a boca, jogou pedra na Geni, amou sobre os jornais, contou a história de Lily Braun, espiou embaixo da saia da bailarina pra provar que ela não tem pentelho, fez tatuagem, escreveu carta ao Tom, disse que a Joana Francesa geme de preguiça e de calor. Falou que não existe pecado no sul do Equador e que seu guri chegaria lá. Tirou um retrato em preto e branco e deu um bom conselho: vence na vida quem diz sim e lembrou que a saudade é o pior tormento. Profetizou e profanou: Deus é um cara gozador, adora brincadeira.. Fez hino à repressão, chorou no funeral do lavrador, viu o operário morrer atrapalhando o tráfego...virou a página do folhetim. Ainda quer inventar o próprio pecado, e quer morrer do próprio veneno. E vai se embriagar até que alguém o esqueça. Difícil, continuará nos bastidores e nas vitrines. A Rita levou o sorriso dele e a rosa sumiu na madrugada. Deve ter ficado na janela vendo a banda passar. Trocando em miúdos, Chico andou pelas tabelas. Chico, Chico, quem te viu e que te vê, meu.
Escrito por Jairo S. às 08h52
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| Segunda-feira , 28 de Agosto |
Da série "sem saco pra blogar, repito-me"

Desculpem, o troço anda travado mesmo. Penso duas vezes antes de blogar, então desisto. Daí que relendo o baú deste diário, encontrei um post do ano passado, escrito numa das tantas faltas de assunto. Auto-plágio. Vá lá.
cibermaluco
Aqui estou, escrevendo esse diário maluco, que não amassa nunca, não suja, não se perde nas gavetas entre objetos outros. Pelo contrário, é uma gaveta enorme, aberta, pronta pra ser espiada e vasculhada. Que assim seja, leiam-me então. Aqui viajo entre as palavras, entre frases e frases. Entre linhas e entrelinhas e aqui me vejo, tal um espelho moderno, mas sem minha imagem. Minha imagem é símbolo a ser decifrado. Signos, ícones, símbolos. Semiose, simbiótica...ou o que seja. Quem quer que seja, decifre-me nessa prosa moderna, nessa vida comunitária ciberespacial. Clique e clique. Del del del. Nada fica. Control z, tudo ali, de novo. Travou... o pc, o cérebro, a vista, a boca. Control-alt-del pra tudo. Tudo de novo. Eu de novo aqui, escrevendo coisas malucas num diário mais maluco ainda. Legal. Esse sou eu. Me decifrei. Aturem-me agora.
Escrito por Jairo S. às 12h41
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