As hóstias do irmão surdo

Não sei por que cargas d´água me lembrei essa semana do irmão surdo, um marista que produzia as hóstias para as missas lá de Camaquã. Ele fazia parte do corpo de uns dez meio-padres que trabalhavam no colégio, como professores ou funcionários. Ele era funcionário, claro...a deficiência auditiva o impedia de dar aulas, mas era o nosso preferido, tal a queridice do velho. Tinha uns oitenta e muitos anos. Não havia quem não gostasse do irmão surdo. Nos intervalos íamos lá pra “hostiaria” (chamávamos assim, mas a gente nem sabia se era esse o nome do lugar) ver ele fazer a massa da hóstia e operar aquelas máquinas. Tinha uma fôrma que era enorme, cheia de furinhos (do tamanho da hóstia) e, quando ele tirava do forno, separava as rodelas, que mais tarde serviriam pra livrar a cara dos pecadores, e nos dava toda a rebarba da fôrma. Bá... mas que troço bem bom. A massa bem fininha, torradinha. A gurizada pensava que aquilo até podia ser pecado. Pecávamos sem culpa, então, debaixo do sinamomo copado do pátio. Ou então, como a gente se empanturrava de hóstia, pensávamos que nem precisaríamos mais comungar na missa. Só faltava o vinho, trocado por água da bica. Não sei por que lembrei disso...deve ser a proximidade da Páscoa. Acho que preciso me confessar. Ou pecar mais, sei lá. Bons tempos...hoje parece que tem até entrega de hóstia pela internet. O irmão surdo nunca ia acreditar nisso.
Antes que o dia termine
Não, não é é o filme aquele...só quero fazer uma rápida referência ao Dia do Jornalista. E hoje foi meu dia de jornalista mesmo, correndo pra fechar a Folha da Princesa. Semana que vem é a vez do Pescador. Viva o jornalismo comunitário. E viva eu, que tô nesse meio.Parabéns a todos coleguinhas e aluninhos, futuros coleguinhas.
Escrito por Jairo S. às 19h33
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No sofá

Dois filmes que vi ontem ainda continuam martelando aqui dentro. E quando isso acontece é porque valeu ter ficado todo aquele tempo atirado no sofá. Parênteses: esse desespero por filmes que tomou conta de mim é reflexo da falta que sinto do jardim, do Laranjal, da rede... Fecha parênteses. O primeiro é um filme alemão, que faz parte do moderno e aclamado cinema europeu. Outro parênteses: filme lançado orinalmente em agosto de 2005 e já está nas locadoras...viva a globalização! Fecha. Volta. “Edukadores”, assim mesmo, com “k”. A história bem que podia desbancar para o panfletarismo-esquerdista-frustrado. Mas não. A mensagem é simples, sem paixões partidárias, sem obediências a nenhuma estrutura burocrática. Apenas a rejeição de três jovens a um sistema, motivada pela simples indignação com as injustiças capitalistas. Um filme pra fazer pensar aqueles que um dia agiram por princípio, foram traídos e hoje estão em total descrença...como eu. Diz a mensagem do filme que “algumas pessoas não mudam nunca”. Fiquei mesmo com as idéias embaralhadas.
Ilumine-se

O outro:“Uma Vida Iluminada”. Confesso que nunca tinha ouvido falar nele, e aluguei pelo cartaz, que é uma viagem. E o filme é simplesmente genial. A caracterização do protagonista (Elijah Wood), e dos outros personagens também, é genial, o roteiro é algo. A fotografia nem se fala. E é americano, pra gente parar com essa bobagem de que tudo que é feito por “eles” não presta, é “roliudiano”. E é só a estréia do diretor Liev Schreiber.
Escrito por Jairo S. às 09h40
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