Urbanóide
Hoje, antes da chuva, dei uma olhadela nela, a lagoa. Lisinha, lisinha e linda como sempre. Não olhei muito, senão ela podia desconfiar que estou indo embora. Não quis formarlizar uma despedida. Amanhã dou por terminada a poesia de morar na praia. Acabou o privilégio de comprar o pão olhando o barquinho a vela lá no meio da lagoa. A partir de agora, a rotina diária terá outro sabor, o do concreto. Fomos vencidos pela concretude da vida. Enfim, assim é. Fica o refúgio nos fins de semana, mas com certeza vou me sentir um intruso, um "urbanóide", um usuário frio daquele paraíso, tal aqueles que eu sempre critiquei, que vão no domingo e lá deixam seus rastros imundos.
Ufa. Sem choro, pois vou correr menos a partir de agora, vou sofrer menos com a umidade do inverno, vou economizar combustível, vou me estressar menos na estrada...E acho também que essa chuva veio veio pra me consolar e me deixar menos triste com essa mudança.
Depois comento os primeiros momentos de morador do concreto.
Escrito por Jairo S. às 21h29
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