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| Sexta-feira , 11 de Novembro |
Cheiro de cabeçote queimado

Bá...no bom latim, enrabatus sumus, ou fudestimus est. Queimou o cabeçote do motor do carro. Diz o mecânico que queimou a junta do cabeçote. "O pistão foi superaquecido tão gravemente que um furo derreteu através da cabeça e ruiu as canaletas do anel no lado do escape". Foi mais ou menos essa e explicação que o mecânico deu, dizendo que um troço lá do motor, que devia funcionar a 13 e tava funcionando a 5. Não entendi nada, mas pela cara grave do homem, senti o tal pistão de que ele falou, entalando na minha...garganta. O mais engraçado foi o cara me mostrando tudinho, falando e falando e falando e eu com a maior cara de que tava entendendo tudo. "Ah...é isso então...", dizia eu, louco pra saltar no pescoço dele gritando: "pula essa parte, infeliz, e diz logo quanto vai ser a enrabada!"
Resumo: meu presente de natal – e o do povo lá de casa – vai ser pistões novinhos em folha, recheados com cabeçotes brilhantes, reluzentes. Todo mundo vai poder se divertir muito com esse brinquedinho maravilhoso. Aos amigos, certamente sobrarão uns anéis enferrujados (parece que os tais pistões usam uns aneizinhos que também devem ser trocados). Enfim...um belo fechamento para um ano de merda.
DP
Comprem o Diário Popular deste dia 12. Tem lá, encartado, um caderno especial sobre a Feira do Livro, todo feito pelos alunos da ECOS e coordenado por esta criatura do cabeçote queimado.
Escrito por Jairo S. às 20h01
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| Terça-feira , 08 de Novembro |
Vazio
Aconteceu de novo. Um vazio tomou conta desta cabecinha e o blog anda numa pobreza só. Azar, preciso mesmo é me concentrar no final do semestre que taí. Depois, vai sobrar tempo. Enquanto isso, vou enrolando meus visitantes com papo-furado como esse.
Aqui e ali e lá...

A periferia de Paris está chamas. É...lá também tem miséria. Na Argentina, Maradona protesta contra Bush, e Mike Tison passa a mão na bunda da assistente de Maradona. Por aqui, o Lula segue dizendo besteira. Mais aqui, o Ornel é o prefeito. Ali em Porto Alegre, o preto no branco de Amílcar de Castro na Feira do Livro. Aqui, tem Scliar na quinta. Mais aqui, na UCPel, tem uma roleta inútil. Mais aqui ainda, na minha casa, tem uma grama enorme me esperando pra ser cortada. Do outro lado da calçada, tem um colégio que quero explodir. Só queria deitar na minha rede sem ter que ouvir as gritarias de um recreio interminável. Herodes tinha razão.
Prometo melhorar na próxima.
Escrito por Jairo S. às 16h42
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| Segunda-feira , 07 de Novembro |
Não veio

"Outros outubros virão, outras manhãs...plenas de sol e de luz". Nós, estudantes da esquerda, militantes e agitadores em geral, dizíamos que essa música era uma referência à revolução bolchevique. Fernando Brant, o autor, nunca assumiu isso, mas nós cantávamos aos quatro ventos...quem sabe não acontecia de no Brasil o carnaval ser transformado em barricadas revolucionárias...sabe-se lá.
Digo isso porque há exatos 88 anos, os bolcheviques, numericamente superiores no Congresso dos Sovietes, tomaram o poder na Rússia (pelo calendário russo da época, o mês era outubro). A revolução russa ficou como um marco da utopia socialista e referência para a esquerda mundial. E o mais curioso, é que a melhor narrativa daquele movimento operário foi feita por um...americano. Tá certo, tá certo, o jornalista John Reed era comunista, foi enterrado junto aos "heróis" da revolução, em Moscou. Mas não deixa de ser curioso a nacionalidade do cara. "Gostaria de ver a obra publicada aos milhões de exemplares e traduzida para todas as línguas, pois traça um quadro exato e extraordinariamente vivo dos acontecimentos...", diz o próprio Lênin no prefácio do livro de Reed, "Dez dias que abalaram o mundo", livro que aliás virou um grande filme, "Reds", com Warren Beatty no papel do jornalista. Atuação que acabou inspirando muita gente a vir para o curso de Jornalismo.
Nosso sonho durou pouco. Pouquíssimo. Não vieram outros outubros.
Escrito por Jairo S. às 16h36
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