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| Sexta-feira , 16 de Setembro |
Grilos ou Oswaldo Montenegro?
Meu ouvido dói muito. Não queiram ter uma infecção no tímpano...e com esse frio, então, parece que a minha cabeça esteve dentro do sino na hora das doze badaladas da igreja. Agora entendo o Quasímodo. Ou então, sinto como se uma grila tivesse procriado dentro da minha orelha. Pior, deu cria e abandonou os filhotes, que agora gritam muito, e esse zumbido se mistura a todos os outros sons à minha volta. Uma sinfonia de sons desconexos, ininterrupta, irritante e que me persegue em cada passo que dou. Quinze dias, disse o médico. Duas semanas tenho que aturar os grilinhos berrando. Será que aguento? Prefiro meu vizinho de quatro anos tocando bateria. Prefiro eu tocando violão. Prefiro ouvir um disco inteirinho do Oswaldo Montenegro...não, também não é pra tanto. Oswaldo Montenegro não não não. Melhor os grilinhos.
Duerme Negrito

Dia importante pra arte latino-americana. Há 32 a nos, era cruelmente assassinado pela ditadura chilena um dos mais importantes cantores e compositores do nosso continente, Victor Jara. Era uma espécie de Chico Buarque do Chile. Ele foi torturado enquanto permanecia junto com outros 5.000 prisioneiros no Estádio de Santiago e seu cadáver, com 44 perfurações de bala e múltiplas fraturas nos punhos (para deixar de escrever poemas), foi encontrado dias mais tarde em um terreno baldio da periferia de Santiago. É autor de clássicos da música latino-americana, como Duerme Negrito, imortalizada pela Mercedes Sosa.
Duerme, duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito
Duerme, duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito
Te va a traer codornices para tí Te va a traer muchas cosas para tí Te va a traer carne de cerdo para tí Te va a traer muchas cosas para tí
Y si negro no se duerme Viene diablo blanco Y sale comen la patita Yakapumba Yakapumba Apumba Yakapumba Yakapumba Yakapumba
Duerme, duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito
Duerme duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito Trabajando
Trabajando duramente Trabajando, sí Trabajando y no le pagan Trabajando, sí Trabajando y va cosiendo Trabajando, sí Trabajando y va de luto Trabajando, sí Pal negrito chiquitito Trabajando, sí Pal negrito chiquitito Trabajando, sí No le pagan, sí Duramente, sí Va cosiendo, sí Va de luto, sí
Duerme duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito
Duerme duerme negrito Que tu mamá está en el campo Negrito
Escrito por Jairo S. às 08h48
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| Quarta-feira , 14 de Setembro |
Chuva de novo...

Gosto da chuva, principalmente depois que conjugaram, em poesia, o verbo chover. "eu chovo"...legal isso. Há várias representações da chuva na arte: cinema, fotografia e música, principalmente. Teatro também: Tem uma peça infantil chamada "Eu chovo, tu choves ele chove", um elogio à liberdade. E pode ser encenada em qualquer sala de aula. A autora é uma tal de Sylvia Orthof e o texto existe em livro também. Ah..as plantas gostam de chuva também.
Na Rádio Com
Dia de comentário na Rádio Com. Ainda sem jeito, mas tô lá nas ondas da rádio comunitária. Falei hoje sobre a cobertura da prisão dos Maluf pela Globo. Uma exclusividade no mínimo esquisita. Um comportamento ético do César Tralli no mínimo discutível. Mas quem melhor tratou do assunto foi o macaco Simão, da Folha. Hilário...
Não percam...
Notícia do DP de hoje: "O melhor do design brasileiro". Alô aluninhos queridos...vamos prestigiar e aprender um pouco sobre design para revistas e jornais. O ILA fica bem ali pertinho do Campus II (Alberto Rosa, 62)
Deixem o Grande Hotel em paz...

Notícia do DM de hoje: "Grande Hotel pode ser ocupado pela Câmara Municipal". Só podem estar brincando! É a própria representação simbólica da chinelagem. Desculpem, mas não há outra expressão pra definir o fim que querem dar ao Grande Hotel. A Câmara deve ficar lá onde está, um local sujo, cheio de puxadinhos, salas improvisadas e muita desorganização. Pra quê mais pra abrigar aquelas nulidades? Mas, pensando bem...No Grande Hotel já funcionou até um Cassino nos antigamentes...Então até que o prédio tem a ver com a política. Pô, será que não encontram uma finalidade melhor para aquele prédio lindo? Coisas de Pelotas...
E por falar em Diário da Manhã...parem de me perguntar o que significa aquela tarja preta sobre alguma palavra nos títulos do jornal. Definitivamente, não sei...e acho que nem os editores sabem. Por isso, não percam mais tempo tentando imaginar porque estão fazendo aquilo. Não há razão lógica.
Um minutinho só
Visitem o site do Festival do Minuto.
Escrito por Jairo S. às 11h02
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| Terça-feira , 13 de Setembro |
Marcha fúnebre em ritmo de jazz
Demorei uns dez dias pra comentar a "tragédia americana", mas tenho meus motivos pra essa demora. Primeiro porque me preocupo mais com a permanente tragédia africana da miséria do que com o afogamento da sociedade estadunidense. Depois, e talvez o motivo mais sólido, porque estava a observar e a refletir sobre as ações do tal furacão, e isso demanda algum tempo, pelo menos pro meu lerdo raciocínio. Mas vamos por partes.
Um - A hipocrisia emergiu, literalmente. Sim, porque a submersão de Nova Orleans fez boa parte da humanidade perceber que os contrastes sociais não são privilégio do terceiro-mundo. O império moderno também tem periferia. Os negros-pobres foram deixados para trás na hora do resgate e ficaram boiando, mortos, onde estão até hoje, apodrecendo. O Estado mais periférico do país mais rico havia sido escanteado por Bush, que não preparou uma recepção à altura para a chegada do deus do mal, um furacão hermafrodita chamado (a) Katrina. Dizem que os estragos do talzinho foram insignificantes se comparados com os estragos causados pela falta de estrutura de uma cidade que está abaixo do nível do mar. Mas é a ralé americana, então...afoguem-se.
Dois-Caos social. Uma pseudo-ética moralista fez com que as TVs mostrassem imagens, digamos, "eufemistas" da tragédia. Mas pelo pouco que se viu, deu pra ter uma noção quase exata do caos social instalado sob as águas de N.Orleans. Saques, estupros, corpos boiando trancados nos sinais de trânsito. Doenças, pestes. Ninguém é de ninguém. Nada é meu, nem teu. Vale tudo. Uma barbárie moderna, futurista, tantas vezes retratada como algo distante, absolutamente ficcional, pelo cinema deles mesmos. Um reality show trágico.
Três - Alguém tem que avisar aos neurônios do Bush que o bumerangue sempre volta. Ele riu quando pediram que assinasse o protocolo de Kyoto, porque era "prejudicial à economia do país". Jogou o bumerangue e esqueceu de ficar olhando. Levou uma bordoada por trás e agora está cambaleando, tentando encontrar explicações. Do mesmo modo que ainda tenta explicar a invasão ao Iraque e outras travessuras. Helo, mr Bush... o planeta tá esquentando...
Quatro - Ironia fina. Parece que Fidel continua esperando uma resposta à oferta que fez a Bush: o envio de 1.100 médicos cubanos e 26,4 toneladas de remédios para os desabrigados do furacão Katrina.
Cinco e último - O berço do jazz, transformou-se no leito do jaz. (Essa foi terrível, mas não podia deixar passar o trocadilho).
Mudando de assunto...

Deuses de Raquel, do Scliar é o livrinho lido ao som da chuva no telhado no fim de semana.

Mar a dentro é o filme visto na madrugada de Sábado. Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Globo de Ouro, além de outros prêmios. Javier Barden dá um show de interpretação num filme que tinha tudo pra cair no lugar-comum do dramalhão, mas acaba jogando na nossa cara uma discussão importante que é o próprio sentido da vida. Pesado pra uns, sensível pra outros. Enfim, assistam.
ECOS em prova - Hehehehe
Escrito por Jairo S. às 08h21
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