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| Quinta-feira , 25 de Agosto |
Ventania
Que ventania! Mas tudo bem, vamos ver a coisa pelo lado bom. "o vento beija meus cabelos", diz a música do Lulu. O vento penteia a vida, digo eu. "palvras ao vento", já disseram tantos. Simbolicamente, pode levar para longe o cisco. Enfim, primavera sem vento, jardins sem flores. Por falar em flores, as acácias já estão espalhando, levemente, seu perfume. Por isso, salve a ventania... desde que não traga tragédias, lógico.
Perdão, maldito!

Bah, nunca vou me perdoar. Postei ontem uma referência ao aniversário de morte de Getúlio Vargas...e ignorei que ontem seria o aniversário do poeta Paulo Leminsky. O "bandido que sabia latim", como era conhecido, morreu em 1989. Mas tudo bem, normalmente cumprimento as pessoas depois do aniversário mesmo, então vamos lá. Leminski.
DESENCONTRÁRIOS - PAULO LEMINSKY
Mandei a palavra rimar, ela não me obedeceu. Falou em mar, em céu, em rosa, em grego, em silêncio, em prosa. Parecia fora de si, a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar, e ela se foi num labirinto. Fazer poesia, eu sinto, apenas isso. Dar ordens a um exército, para conquistar um império extinto.
Além de poeta, Leminski era compositor, fez várias letras de músicas em parcerias com gente como Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Moraes Moreira. Escreveu romances, contos, literatura infantil, Traduziu importantes autores (James Joyce, entre tantos), fez quadrinhos e até telenovela (uma tal "outra paixão é um perigo"). Foi também um estudioso e divulgador da cultura japonesa, sobretudo a poesia haicai.
O cara, que era considerado um "poeta maldito", chegou a morar durante um ano inteiro num mosteiro em São Paulo, quando tinha entre 13 e 14 anos. Mas depois que conheceu o pessoal da poesia concreta (Aroldo, Pignatari), acabou tornando-se um ícone da contracultura e do próprio concretismo paulista dos anos 60 e 70.
Se quiserem conhecer mais um pouquinho da obra de Leminski, existem vários sites, mas esse tem alguns livros na íntegra.
Escrito por Jairo às 09h37
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| Quarta-feira , 24 de Agosto |
Salue, Le Canard!
Le Canard Enchainé, um jornal francês que se sustenta somente com a venda das edições (sobrevive sem anunciantes), está completando 90 anos! Muito legal isso...fazer jornalismo por quase um século sem vender um anúncio sequer! O jornal praticamente não tem foto, muito menos cores. Valoriza a informação que mescla sátira com jornalismo investigativo. O site é muito reduzido (claro, afinal, é preciso vender as edições) e simples, apenas reproduz a capa do dia, em imagem.
Pai dos Pobres, mãe dos ricos...
Hoje os viúvos e viúvas de Getúlio Vargas lembram o suicídio do "pai dos pobres" (e mãe dos ricos, eu complementaria). É, sem dúvida, uma das biografias mais extraordinárias, polêmicas e contraditórias do país. Realmente entrou para a história. Há 51 anos...
Chibarro
Vem aí o projeto Chibarro, um dos 100 pólos de cultura aprovados pelo governo federal a serem instalados país a fora. Pelotas ganhou dois, coisa boa. Tô envolvido no Chibarro, mas depois conto mais detalhes.
Godard para poucos
Tá me dando uma tremedeira. Desde Domingo que não vejo filme algum. Não dá tempo, chego muito tarde em casa e acordo cedinho também. A discussão da hora é sobre "Nossa Música", do Godard. Achei muito chato, confesso. A Milene considerou uma obra prima, conseguiu decifrar muitas nuances do velho. O Diniz também não gostou, assim como a Thaíse. Os críticos o reverenciam. Acho que o filme tem seu lado interessante, subjetivo, criativo, irreverente e que foge da linguagem tradicional do cinema, mas...não deixa de ser muuuiiito chato.
Ia esquecendo...
Aviso aos meus visitantes: Mudei o acesso do blog: marquem aí: http://blogsempalavras.zip.net
Escrito por Jairo às 09h10
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| Segunda-feira , 22 de Agosto |
A Panterinha e o Gonzo
Sempre gostei de ler. Na verdade aprendi a ler nas enciclopédias do meu pai, antes de entrar pro colégio. Tinha uma que era de curiosidades: "O maior homem do mundo"..."a cobra mais venenosa"... era uma espécie de antecessor do Guiness Book. Tinha também umas biografias, pequenas aventuras ditas reais e outras histórias interessantes para um molequinho de 5 anos. Via as figuras e meu pai lia algumas histórias, até que adquiri minha independência e passei a ler sozinho. Ficava horas no banheiro lendo aquilo, bem devagarinho. Ainda hoje guardo alguns daqueles livros como uma lembrança rara e suave de meu pai. Lembro dele fazendo as palavras cruzadas do Correio do Povo, comigo no colo. Eu adorava o Sofrenildo e seus azares. Sábado de manhã íamos no "Tesouro Escondido" comprar jornal e eu ganhava a "Recreio". Meu pai morreu aos 38 anos e, de alguma forma, mesmo ele sendo bancário, sinto que foi o responsável por despertar em mim o gosto pelo jornalismo lá na infância.
Fui crescendo e fazendo muita palavra cruzada, como ele. Fazia torneio comigo mesmo, anotando recordes de tempo para preencher uma página da "Coquetel Ouro". Já em Pelotas, fui frequentador assíduo da biblioteca da AABB e das bancas de jornais. Lia muito gibi também. Relia umas vinte vezes cada historinha. Devorei os livros do Fernando Sabino. As aventuras do vagabundo Viramundo, de "O Grande Mentecapto", marcou demais.
Já bem mais velho, lá pelos 13, quando eu estava na 7ª série do primeiro grau, juntei uns coleguinhas e resolvemos fazer um jornalzinho da escola. Procuramos a professora de Moral e Cívica para nos ajudar e ela adorou a idéia. Nascia, ali, "A Panterinha". Tinha esse nome porque a cor da camisa do uniforme do Colégio Pedro Osório, era... cor-de-rosa. Me envolvi tanto naquilo...ia nos bancos pedir doação de uns cofrinhos de lata para darmos de brinde a quem comprasse o jornal. Sim, sim, "A Panterinha" era vendida. Com o dinheiro arrecadado, pagávamos o xerox da próxima edição. O que escrevíamos? Ora... horóscopo, esporte (tabela do Gauchão, história de algumas modalidades), piadas, atividades da escola, essas coisas.
Não sei porque lembrei disso hoje. Deve ser porque passei em frente àquela escola e meu deu saudades daquele tempo. Me dei conta também de que nunca tive crise para decidir qual profissão seguir.
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Olhem essa: Lembram do pai do jornalismo gonzo, Hunter S. Thompson? Pois é, o cara se matou em fevereiro e só agora suas cinzas terão um destino. Johnny Deep vai lançá-las ao céu...
Escrito por Jairo às 07h57
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